Blondies saudáveis de grão de bico e manteiga de amendoim

Pensaram que tinha morrido? Somos dois/duas (ou mil: não sei como têm andado as visitas ao site desde que desapareci). Mas, como sempre suspeitara, sou, na verdade, um vampiro, pelo que a mortalidade é algo que não me assiste.

Se se perguntaram sobre o motivo da minha ausência, como eu egocentricamente gosto de acreditar, eles são vários. O primeiro é que o Polifagia se estava a tornar numa obrigação, e isso é como estudar algo de que se gosta: estraga tudo. Muito associada a esta razão está a de o meu trabalho neste site se ter tornado gradualmente numa actividade obsessivo-compulsiva e perfeccionista, tal como, de maneira totalmente interligada, a de cozinhar — o balão da sanidade encheu até estourar, e, neste momento, confesso que já não cozinho há muitas, muitas semanas, salvo raras excepções: têm sido meses de muita sopa, iogurte, aveia, frutos secos, canela, linhaça e goji, assim como das refeições preparadas pelo meu colega de casa. Isto — saturar uma obsessão (e encontrar outra) — é algo que me acontece com relativa frequência, pelo que não me surpreendeu. Não ajudaram os factos de andar cansada, de terem surgido vários problemas na minha vida, e de ter perdido todos os ficheiros do meu computador pela altura do Natal: mas estas, como todos sabemos, são justificações apenas parciais, como atestado pela minha mera presença aqui hoje, apesar delas.

Estou sozinha em casa e está um dia feio. É Carnaval, o que não me diz nada — a não ser, claro (obrigada, António Costa!), que não trabalho. Acordo com uma vontade incontrolável de comer a massa de uns blondies de grão de bico e manteiga de amendoim que já fiz várias vezes, mas não desde há muito tempo. Obviamente, visto a primeira coisa que está à mão (ugh, sair de casa; ugh, viver!), vou ao Continente mais próximo e compro as coisas que me faltam. Pouco mais de meia hora depois, está feito.

E é delicioso? É. Valeu a pena — apesar de cozinhar, hoje em dia, me surgir mais como um frete do que há uns meses? Meu deus, sim. Esta receita é tão maravilhosa que dou sempre por mim a reservar parte da massa — uma boa parte da massa — para comer crua. Não que o produto final não seja igualmente fantástico: é, e o chocolate culinário partido grosseiramente dá-lhe um toque irresistível. Sem farinha, açúcar refinado ou gorduras processadas, e com apenas 95 calorias por fatia, espero que o meu mimo para mim própria vos conquiste tanto como a mim.

Créditos para o maravilhoso Ambitious Kitchen pela receita na qual me baseio.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 16 blondies.
  • Calorias (total): 1526 kcal.
  • Calorias (1 blondie): 95 kcal.

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Bolachas saudáveis de aveia, abóbora e canela com pedaços de chocolate

Como devem ter reparado, as publicações no blog estão a tornar-se mais espaçadas. Isso deve-se ao facto de os meus interesses serem extremamente cíclicos (sendo que, neste momento, estou obcecada com o Radiant Historia), mas também ao cansaço físico e mental que se tem feito sentir para estes lados. A vida não está fácil para ninguém, não é? De qualquer maneira, com maior ou menor periodicidade, e (quase) independentemente dos sinais vitais da dona, o Polifagia Nervosa está vivo, e bem vivo: tenho dezenas de receitas deliciosas reservadas para partilhar, portanto, mesmo que nunca mais cozinhasse na vida, uma quantidade muito generosa de posts ainda estaria garantida enquanto eu respirasse!

O que vos trago hoje é a minha nova obsessão (para lanches, sobremesas, só porque sim…), inspirada numa receita fantástica da Katie do Chocolate Covered Katie, um pouco modificada por mim: bolachas de abóbora e chocolate com base de aveia, um prazer muito pouco culpado, perfeito para o frio que se começa a fazer sentir, com todo o sabor da abóbora e da canela e o valor ridículo de 59 calorias por bolacha — o mesmo que qualquer bolacha de pequeno-almoço de venda, e incomparavelmente mais delicioso! Desde que as descobri (o que não foi assim há tanto tempo, já que a Katie publicou a receita há sensivelmente um mês, no inaugurar da época da abóbora), estas tentações do Diabo — densas e cheias de sabor, com o toque especialmente artesanal do chocolate grosseiramente picado — já foram feitas variadíssimas vezes: tanto enquanto desculpa para abrir frascos de puré de abóbora, como enquanto forma de os terminar (para baixo, todos os santos ajudam). E, se eu fiquei tão apanhada, quem são vocês para se safarem, não é verdade?

Nota: A imagem neste post é de uma versão das bolachas feita com pepitas de chocolate, em vez do chocolate culinário grosseiramente picado que indico no texto. Prefiro fortemente a segunda hipótese, pelo que a recomendo, apesar da fotografia!

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 10 min (preparação) + 10 min (forno).
  • Dificuldade: Muito baixa.
  • Porções: ~16 bolachas.
  • Calorias (total): 948 kcal.
  • Calorias (1 bolacha): 59 kcal.

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Bolachas saudáveis de aveia e manteiga de amendoim com sementes

Por aqui, meus amigos, isto anda o Kosovo (a Síria?). O ritmo do trabalho, já de si acelerado, tem atingido níveis desafiantes para a sanidade, e o acumular das funções assistenciais (leia-se: o tempo no horário de um médico destinado a consultas) com as actividades de formação começa a espelhar o tempo que se tem feito sentir nesta bela linha de Cascais: ora chuvoso, ora demasiado quente; ora cinzento, ora cegante; por vezes, como o humor de uma mulher em certas alturas do mês, tudo ao mesmo tempo. Uma coisa é certa: tanto na roupa do dia-a-dia como no couro de resistência profissional, já não sei muito bem para onde me virar.

E, quando assim é — leia-se, quando o desespero bate à porta —, pouco mais há a fazer, digo eu, do que… bom, ligar o forno e cozer umas belas bolachas. Perfeitas tanto como snack nocturno culpado como para um lanche nutritivo, versáteis até dar com um pau, e, geralmente, estupidamente rápidas e fáceis de fazer, as bolachas são, de facto, uma ideia genial, e uma dádiva dos céus: especialmente, se se tiver à mão os ingredientes certos. Estas que hoje vos trago são uma receita original de yours truly — ou, melhor dizendo, o resultado das minhas violações sucessivas de uma outra que sigo já há muito tempo, do fantástico Sally’s Baking Addiction. A verdade é que, tal como aqui os apresento, estes pedaços de mau caminho estão tão longe da formulação primária que podem, de facto, ser considerados criação minha: o que os torna no primeiro exemplar do género a aparecer aqui, portanto, yay! (Disclaimer: Bolachas são a coisa mais fácil do mundo de inventar, portanto, o crédito disto é muito relativo. Até pode já haver por aí uma receita praticamente igual a esta — quem sabe? Quem quer saber? Deixem-me viver a minha felicidade em paz!!!)

Estas bolachas contam com as doses generosas de manteiga de amendoim e mel para ganhar coesão, e com os pedaços de amendoim, as sementes de linhaça e os dois tipos de aveia para ficarem deliciosamente crocantes. Quando as colocarem no tabuleiro, podem não vos parecer muito unidas: não se preocupem, porque, no final da cozedura, verão que os vossos medos são infundados. Se as deixarem umas horas no frigorífico antes de consumir, então, ficarão surpreendidos com o quão firmes ficam, e com a riqueza dos sabores e da textura! Além disso, e apesar de uma bolacha equivaler a ~120 calorias, este é um valor nutricionalmente rico, sem açúcares refinados, praticamente vazio de “gorduras más”, e até — é verdade — sem farinha! Tudo isto às vossas mãos em 20 míseros minutos, sem segredos ou magia.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 10 min (preparação) + 10 min (forno).
  • Dificuldade: Muito baixa.
  • Porções: ~10 bolachas.
  • Calorias (total): 1214 kcal.
  • Calorias (1 bolacha): 121 kcal.

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Muffins integrais saudáveis de chocolate e manteiga de amendoim

Como mencionei no meu último post, isto de controlar o consumo da manteiga de amendoim, para mim, é uma coisa muito complicada. Assim, a única forma que até agora encontrei de evitar comer um frasco inteiro à colher num só dia é mesmo… bom, fazer muitas receitas com manteiga de amendoim. E dividir os resultados, claro. Afinal de contas, se não o fizesse, o objectivo estaria perdido, certo?

Estando eu a transformar-me numa crazy muffin lady, e após o sucesso estrondoso de outro tipo relatado na publicação anterior, a primeira coisa que me ocorreu para gastar o produto restante foi, naturalmente, muffins. Portanto, e enquanto ia limpando a baba abundante que me escorria pelo queixo, pus-me a pesquisar receitas destes maravilhosos bolinhos que incluíssem manteiga de amendoim na sua confecção. Fiz pelo menos duas diferentes, e cheguei a levar a maioria de uma das fornadas para o trabalho — a recepção, de ambas as vezes, foi boa, mas, sendo totalmente franca, nenhuma das receitas me encheu as medidas. Fiquei desiludida; o sabor a amendoim perdia-se na massa, e os muffins acabavam por ser do que quer que fosse mais que a receita pedia.

Foi então — já convencida de que, por mais divino que globalmente fosse, este não era, simplesmente, o melhor ingrediente para queques — que parti para aquela que decidi que seria a minha última tentativa: uma receita de muffins saudáveis de cacau e manteiga de amendoim que a Joana do Palavras que Enchem a Barriga adaptou da original do Sally’s Baking Addiction (duas referências de um talento gastronómico ridículo, portanto). O que me chamou a atenção foi o facto de, nestes muffins, a manteiga de amendoim ser colocada no final, como um topping, ao invés de na constituição da própria massa: calculei que, assim, o sabor ficasse bem mais intensificado. Além disso, “cacau” e “saudável”: o que haveria a pedir mais?

Também eu fiz as minhas alterações: não tinha cacau magro em casa, pelo que usei antes o meu chocolate em pó preferido, da Pantagruel (que, na verdade, na maioria das vezes, como gulosa que sou, me sabe melhor do que o cacau); optei pelos meus iogurtes naturais magros de eleição; a manteiga de amendoim foi com pedaços, porque a prefiro infinitamente assim; troquei o açúcar branco por amarelo, e reduzi ligeiramente a quantidade — e, claro, utilizei apenas farinha integral, que genuinamente adoro em quaisquer muffins. Ou seja, resumindo, pode dizer-se que tornei a receita saudável ainda mais saudável — mas, claro, adaptando-a aos meus gostos pessoais, e fazendo por não prejudicar o sabor.

Eu diria que a foto fala por si, mas, se não, posso dizer escrever que estes muffins me souberam pela vida. Talvez, falando o mais objectiva e universalmente possível, não sejam os melhores muffins que já fiz (nesse ponto, e tendo em conta as reacções de todas as pessoas, inclino-me para os de pêra e canela), mas, no que diz respeito aos meus gostos pessoais, é provável que estes sejam os meus preferidos. O sabor intenso da manteiga de amendoim casa divinamente com o das pepitas de chocolate negro derretidas, e a textura é tão fofinha e húmida, mas tão fofinha e húmida, que… bom, de uma só vez, e ainda mornos, comi três dos seis que fiz para teste. Sim. Na manhã seguinte, experimentei um frio, e tenho a dizer que o efeito foi igualmente magnífico. Fiquei tão maravilhada que tive de congelar um para o Sandro, como namorada extremosa que sou. Para vocês, não posso congelar; mas, no mínimo, posso partilhar o segredo. A parte absurda? Apenas 143 kcal por muffins, sem quaisquer cortes! E não admira: sem gorduras, gemas de ovo ou açúcares brancos, estes bolos são mesmo, mesmo magros.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 12 muffins.
  • Calorias (total): 1720 kcal.
  • Calorias (1 muffin): 143 kcal.

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Quadrados saudáveis de aveia, banana e manteiga de amendoim

Se pudesse casar com um ingrediente, ele seria, provavelmente, a manteiga de amendoim. Com pedaços, claro. Isto pode não ser óbvio, pelo conteúdo dos meus posts até agora — mas, na verdade, se não faço mais receitas com manteiga de amendoim, é mesmo porque evito comprá-la, já que, nas minhas mãos, um boião inteiro não sobrevive mais do que uns míseros dias: e, como todos sabemos, as tentativas de ser “saudável” (erm) ressentem-se destas coisas.

Com isto dito, a manteiga de amendoim, também conhecida por Creme Divino dos Céus, não tem, necessariamente, de ser pouco saudável — na verdade, consumida em moderação, e pelo seu conteúdo rico em proteína, pobre em gorduras saturadas e nulo em colesterol, é um alimento infinitamente preferível à manteiga tradicional, e até à margarina. Resumindo: se abusarmos dela, certamente não iremos para magros, mas há muitas coisas nos hábitos alimentares portugueses que nos matariam bem mais depressa de ataque cardíaco.

O que, contas feitas (quanta inspiração, António Costa), me parece bem.

É por tudo isto que, apesar de estas barrinhas (adaptadas de uma receita do meu actual blog culinário preferido, Sally’s Baking Addiction) conterem manteiga de amendoim, as considero e tratarei como saudáveis: afinal de contas, não possuem qualquer outra gordura na sua constituição, o (pouco) açúcar utilizado é amarelo, e a sua base é a aveia, um outro alimento com que facilmente constituiria família. As pepitas de chocolate negro são opcionais — mas, na minha opinião, fornecem um toque precioso, a custo baixo para a saúde.

Resultado final: um snack de pequeno-almoço ou lanche pobre em calorias (dois quadrados têm entre 140 e 160 kcal, dependendo da adição ou não do chocolate) — e absurdamente, ridiculamente, estupidamente e outros-advérbios-de-modo-mente delicioso! Não, a sério: eu acho que nunca mais vou comer outra coisa a meio da manhã. Ou da tarde. Ou ao chegar a casa. Ou ao dormir.

Ah, e mencionei que demoram sensivelmente dois segundos e meio a preparar? Com esta, nem preciso de pensar: vai direitinha para a lista de receitas preferidas.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 15 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Muito baixa.
  • Porções: ~24 quadrados de 5×5 cm.
  • Calorias (total): 1975 kcal (com chocolate); 1720 kcal (sem chocolate).
  • Calorias (1 quadrado): 82 kcal (com chocolate); 72 kcal (sem chocolate).

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