Mousse de chocolate de azeite

Quanto mais tempo passa, mais me apercebo de que, realmente, actividades dopaminérgicas à parte, o melhor da vida é a família (e mais me questiono o que raio estava a pensar quando vim viver para tão longe da minha). Hoje em dia, os fins-de-semana que passo na terrinha são os meus maiores oásis de paz e conforto, e, ao contrário do que acontecia na adolescência, as reuniões familiares mais alargadas são algo que não me limito a suportar, mas pelas quais anseio e fico verdadeiramente grata.

Foi por isso que este fim-de-semana, quando a minha mãe se propôs improvisar o almoço de Páscoa no jantar de sábado apenas para eu poder estar presente, a azáfama toda não só não me pareceu uma chatice, como me ofereci imediatamente para fazer as sobremesas. A minha mãe, sempre (amorosamente! adoravelmente!) hitleriana, deixou logo bem assente que o forno estaria reservado para ela o dia todo, pelo que propus uma travessa do meu já bastante afamado leite creme, que se viu imediatamente aceite; no entanto, e estando a refeição prevista para dez, apenas isso pareceu-me pouco: para não dizer que esse plano não cobria nenhuma das sobremesas preferidas do meu pai, nas quais se inclui, entre outras, a simples, mas sempre clássica, mousse de chocolate.

Muito antes de conseguir cozinhar fosse o que fosse de salgado, e ainda mais anteriormente ao saber-me fisicamente capaz de preparar coisas chiques como muffins e tiramisù, a mousse de chocolate caseira era algo que eu já fazia bem, e pela qual era conhecida. A receita na qual me baseava era do mais simples que se possa imaginar, encontrada há muitos anos num qualquer sítio da internet — a minha única especificidade, que ainda hoje mantenho, era a de usar sempre chocolate Pantagruel, que não troco por nenhuma outra marca! —, e, no entanto, era o que bastava para que todos os que a provavam (incluindo, modéstia à parte, eu própria) a considerarem algo de especial. O meu pai, em particular, era/é fã incondicional da minha mousse — sendo, inclusive, o seu principal consumidor. No entanto, no início deste ano, esta receita peculiar do Alecrim aos Molhos saltou-me à vista e encheu-me os olhos. Já lá iam muitos anos da mesma receita, e o Sandro vinha no fim-de-semana: decidi inovar, e porque não?

Inicialmente, ambos tivemos alguma apreensão relativamente ao que o sabor do azeite faria a uma mousse de chocolate: um receio extremamente infundado que desapareceu à primeira prova desta mousse deliciosa, mais cremosa do que qualquer outra e sem o menor travo ao óleo usado, onde o café e o vinho do Porto fazem maravilhas pela força do sabor a chocolate, permitindo que, com uma quantidade mínima de açúcar, se consiga o ponto exactamente certo de doce. Este fim-de-semana, ao experimentá-la em nove novas cobaias, incluindo a mais difícil de satisfazer, consagrei de vez esta receita como a receita de mousse de chocolate: e, provavelmente, será a que passarei a fazer mais.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 2h (frigorífico).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 10 doses.
  • Calorias (total): 2380 kcal.
  • Calorias (1 dose): 238 kcal.

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Trufas saudáveis de cacau

Há receitas que terminamos e precisamos de ir logo partilhar, porque nem sabemos como raio é que algo tão divinal, tão bonito que parece comprado, saiu das nossas mãos (neste caso, das nossas pobres, pobres, sujas e pegajosas mãos). Esta, bendita seja, é uma dessas receitas: ou não fossem duas da manhã, e eu aqui.

Gosto muito de trufas. São requintadas, clássicas, têm estilo, causam uma explosão de sabor incomparável nas papilas, e facilmente servem como presente de bom gosto (no pun intended) para todas as pessoas e ocasiões. Na minha curta vida, já provei vários tipos de trufas, das mais baratas do supermercado da esquina a especialidades gourmet da Godiva que, pelo preço, têm certamente sangue de unicórnio como ingrediente secreto. A conclusão a que cheguei é que… gosto de todas. Na verdade, parece-me impossível um qualquer amante de chocolate não ser, em geral e com pouco critério, apaixonado por trufas: afinal de contas, elas são uma das formas mais densas e intensas de apresentação desse sabor.

Com isto dito, nunca pensei que, um dia, me veria a fazer trufas: nunca me teria presumido poderosa a esse ponto. Foi então — na verdade, ontem — que me cruzei com esta receita do Alecrim aos Molhos: o blog, também todo ele de muito bom gosto, da Cátia, uma leiriense de múltiplos talentos. Ao que parece, esta menina aposta na saúde, na originalidade e na qualidade acima da quantidade: princípios em que me revejo completamente, e que me têm levado à sua página diariamente. (Ah, e também tem serviços de catering e entregas ao domicílio: portanto, leitores de Leiria, agarrem nesses telefones/e-mails! Eu, se vivesse na zona, já o teria feito.)

A receita era tão atractiva, e parecia tão fácil, que não resisti a experimentar. Se foi realmente fácil? Não o suficiente para colocar esse tag neste post, mas sim, foi: embora eu, cozinheira mais do que amadora, tivesse ficado agradecida por uma dica que, de tão básica e essencial (e apesar de, para mim, já vir tarde), me vejo forçada a sublinhar — depois de fazerem a massa, e antes de a moldarem nas trufas propriamente ditas, arrefeçam-na durante umas horas no frigorífico. Talvez, dessa maneira, evitem ficar com metade colada aos dedos. Como me aconteceu.

Mas adiante.

À excepção desse pequeno percalço, correu tudo inesperadamente bem: e, creio, a fotografia inacreditável abaixo fala por isso. Não tenho processador de alimentos, pelo que utilizei uma trituradora vulgar e adaptei a receita, mas não consigo imaginar que o resultado pudesse ter sido melhor de outra forma. É que estas maravilhas — que, por mais voltas que dê às contas, não consigo fazer ter as “menos de 30 calorias” de que a Cátia fala: estas minhas meninas, já polvilhadas, rondam as (muito razoáveis!) 50 kcal cada —, estas maravilhas, dizia eu, e vou roubar uma expressão do Sandro, sabem a pecado. Sem qualquer tipo de gordura ou açúcar refinado, esperava, francamente, que o sabor se ressentisse; no entanto, a minha tão amada explosão papilar de cacau está toda lá: e, como que por magia, a textura densa e aveludada, o outro grande estandarte das trufas, também.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 2 horas (frigorífico).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 20 trufas.
  • Calorias (total): 960 kcal (por polvilhar).
  • Calorias (1 trufa): 48 kcal (por polvilhar).

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Brownies saudáveis de feijão preto e chocolate

Este sábado foi o casamento da minha querida Sónia, uma amiga que conheci durante o chamado “internato do ano comum”. Também foi o casamento do Tiago, mas, sociedade machista!: os casamentos são sempre muito mais das mulheres, não é? Tsk, tsk. De qualquer maneira, claro que eu e o Sandro fomos, e nos divertimos milhões. Aqui vão alguns registos do período sensato pré-abuso-do-bar-aberto:

Fotografias de telemóvel têm sempre a melhor qualidade.

Por mais divertida que a festa tenha sido — e foi mesmo: todas as doze horas seguidas dela! —, e boa para reatar contactos entretanto interrompidos pelo ritmo da vida, tenho de confessar que senti saudades da minha própria comida. A verdade é que, em termos gastronómicos, a quinta em causa não é um lugar onde eu própria gostasse de casar; à excepção do buffet de sobremesas, que era bastante decente mas que já quase não soube a nada, porque álcool, álcool, álcool, os sabores do dia e da noite não estiveram, de todo, à altura da awesomeness dos meus amigos, e por várias vezes me fizeram sonhar com as batatas-doces que tinha em casa. Por causa disso, quando, no dia seguinte, acordámos com uma ressaca surpreendentemente ligeira (percebem porque insisto na qualidade do álcool?), decidi que iria, definitivamente, experimentar esta receita alegadamente famosíssima do blog Chocolate Covered Katie: cujo livro, já agora, também está encomendado. E que fantástica, fantástica decisão essa foi. Obrigada, Luísa, por seres tão genial.

Brownies, na minha opinião, são um tipo divino de bolo. A textura suculenta e os sabores ricos que os caracterizam fazem as delícias de qualquer guloso, e confesso que lhes sou muito parcial. E estes brownies, meus amigos, são, definitivamente, uma das melhores receitas doces que já fiz. Na vida. (O Sandro concorda.) Tudo acerca deles é inacreditável: os ingredientes que levam (ou que não levam: afinal de contas, são zero açúcares refinados, zero gorduras “más”, zero farinha!), a facilidade de os fazer, o tempo que se aguentam absurdamente deliciosos. Bom, esta última parte é um pouco inventada, dado que eu e o Sandro terminámos o tabuleiro em menos de 24 horas. É verdade, no entanto, que hoje comi dois depois de umas horas no frigorífico, e, simplesmente, não consigo decidir se são melhores quentes ou frios. Com estes brownies, todas as opções são difíceis.

A opção, por exemplo, de parar de os fazer. É que, apesar da textura e sabor pecaminosos, estas coisas têm apenas 132 calorias por unidade. Cheira-me (no pun intended) que esta vai ser uma das receitas mais feitas nesta casa. Que poderei, até, ser processada pelo forno por abuso. Não sei. Desconfio. É só um palpite.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min (preparação) + 18 min (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 12 brownies.
  • Calorias (total): 1590 kcal.
  • Calorias (1 brownie): 132 kcal.

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Muffins integrais saudáveis de chocolate e manteiga de amendoim

Como mencionei no meu último post, isto de controlar o consumo da manteiga de amendoim, para mim, é uma coisa muito complicada. Assim, a única forma que até agora encontrei de evitar comer um frasco inteiro à colher num só dia é mesmo… bom, fazer muitas receitas com manteiga de amendoim. E dividir os resultados, claro. Afinal de contas, se não o fizesse, o objectivo estaria perdido, certo?

Estando eu a transformar-me numa crazy muffin lady, e após o sucesso estrondoso de outro tipo relatado na publicação anterior, a primeira coisa que me ocorreu para gastar o produto restante foi, naturalmente, muffins. Portanto, e enquanto ia limpando a baba abundante que me escorria pelo queixo, pus-me a pesquisar receitas destes maravilhosos bolinhos que incluíssem manteiga de amendoim na sua confecção. Fiz pelo menos duas diferentes, e cheguei a levar a maioria de uma das fornadas para o trabalho — a recepção, de ambas as vezes, foi boa, mas, sendo totalmente franca, nenhuma das receitas me encheu as medidas. Fiquei desiludida; o sabor a amendoim perdia-se na massa, e os muffins acabavam por ser do que quer que fosse mais que a receita pedia.

Foi então — já convencida de que, por mais divino que globalmente fosse, este não era, simplesmente, o melhor ingrediente para queques — que parti para aquela que decidi que seria a minha última tentativa: uma receita de muffins saudáveis de cacau e manteiga de amendoim que a Joana do Palavras que Enchem a Barriga adaptou da original do Sally’s Baking Addiction (duas referências de um talento gastronómico ridículo, portanto). O que me chamou a atenção foi o facto de, nestes muffins, a manteiga de amendoim ser colocada no final, como um topping, ao invés de na constituição da própria massa: calculei que, assim, o sabor ficasse bem mais intensificado. Além disso, “cacau” e “saudável”: o que haveria a pedir mais?

Também eu fiz as minhas alterações: não tinha cacau magro em casa, pelo que usei antes o meu chocolate em pó preferido, da Pantagruel (que, na verdade, na maioria das vezes, como gulosa que sou, me sabe melhor do que o cacau); optei pelos meus iogurtes naturais magros de eleição; a manteiga de amendoim foi com pedaços, porque a prefiro infinitamente assim; troquei o açúcar branco por amarelo, e reduzi ligeiramente a quantidade — e, claro, utilizei apenas farinha integral, que genuinamente adoro em quaisquer muffins. Ou seja, resumindo, pode dizer-se que tornei a receita saudável ainda mais saudável — mas, claro, adaptando-a aos meus gostos pessoais, e fazendo por não prejudicar o sabor.

Eu diria que a foto fala por si, mas, se não, posso dizer escrever que estes muffins me souberam pela vida. Talvez, falando o mais objectiva e universalmente possível, não sejam os melhores muffins que já fiz (nesse ponto, e tendo em conta as reacções de todas as pessoas, inclino-me para os de pêra e canela), mas, no que diz respeito aos meus gostos pessoais, é provável que estes sejam os meus preferidos. O sabor intenso da manteiga de amendoim casa divinamente com o das pepitas de chocolate negro derretidas, e a textura é tão fofinha e húmida, mas tão fofinha e húmida, que… bom, de uma só vez, e ainda mornos, comi três dos seis que fiz para teste. Sim. Na manhã seguinte, experimentei um frio, e tenho a dizer que o efeito foi igualmente magnífico. Fiquei tão maravilhada que tive de congelar um para o Sandro, como namorada extremosa que sou. Para vocês, não posso congelar; mas, no mínimo, posso partilhar o segredo. A parte absurda? Apenas 143 kcal por muffins, sem quaisquer cortes! E não admira: sem gorduras, gemas de ovo ou açúcares brancos, estes bolos são mesmo, mesmo magros.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 12 muffins.
  • Calorias (total): 1720 kcal.
  • Calorias (1 muffin): 143 kcal.

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Muffins integrais saudáveis de banana e chocolate

ACTUALIZAÇÃO (16-09-2015): Após verificação do sucesso do meu novo método de cozedura de muffins, decidi aplicá-lo a esta receita, o que resultou numa textura perfeita, e numa experiência globalmente muito melhor do que o descrito nos parágrafos seguintes. Assim, actualizei a fotografia e a receita deste post, embora tenha decidido manter o restante texto original, pelo valor nostálgico da coisa. Relaxem: o valor calórico de apenas 130 kcal por muffin também se mantém!


Confessionário: a principal razão pela qual não partilhei os muffins que mencionei há duas publicações foi não ter ficado nada satisfeita com o resultado final. Apesar do sabor razoavelmente agradável, ficaram mais do que demasiado secos, facto que ainda não sei se se terá devido à minha aselhice ou à própria receita. (Aselhice, Luísa. Sempre a aselhice.) Em boa verdade, e já que estamos a ser sinceros, convém explicar que não há quase nenhum conjunto de instruções culinárias ao qual eu não fuja para reduzir a dose de açúcar e/ou gordura: o que, de certa maneira, pode explicar uma parte significativa do meu problema. Ainda assim, e após análise cuidada, parece-me que a principal questão se prende mesmo com o tempo de cozedura: sim, Luísa, devias tê-los tirado mais cedo. Tão simples.

Desta vez, para esclarecer todas as dúvidas, fui retirando os muffins do forno em alturas diferentes. A receita na qual me baseei para esta nova tentativa, encontrada no já mencionado e absolutamente fantástico Ambitious Kitchen, fala de 20-25 minutos de forno, pelo que, tendo feito apenas quatro, retirei um ao fim de cerca de 18 minutos, dois na marca dos 22 minutos, e o último apenas no final do tempo: 25 minutos. O veredicto? O primeiro parecia uma queijada (o que, suponho, não é necessariamente mau…); os dois segundos, apesar de cozidos na periferia, também revelavam um núcleo mais cru do que o desejável; e, por fim, o último, apesar do tempo máximo total de cozedura, ainda poderia, na minha opinião, ter ficado uns minutos extra lá dentro. (Antes que se perguntem: sim, fui fazendo o teste do palito!) Conclusão: quando repetir esta receita, vou esperar, pelo menos, uma boa meia horinha, para ver se atinjo finalmente aquele ponto óptimo entre o cru e o seco: douradinho por cima, húmido e arejado por dentro.

Mas, na verdade, tudo isto é muito irrelevante: afinal de contas, se, ao contrário da outra vez, dou por mim aqui a apregoar uma receita apesar dos resultados menos-do-que-perfeitos da primeira tentativa de a fazer, é apenas pelo facto incontornável de que, textura à parte, estes muffins resultaram num sabor absurdamente delicioso, que quase torna inacreditável o quão saudáveis são. Quando comparados com os seus habituais irmãos, isto é. Se não acreditam, vejam: mel em vez de açúcar; azeite em vez de óleo; iogurte em vez de manteiga; e, claro, 130 calorias: menos de metade das habituais 300+! Tudo isto com o plano de fundo do felicíssimo casamento da banana com o chocolate negro (em fase de lua-de-mel, pelos vistos): francamente, dá para dizer que não? Pois, bem me pareceu.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min (preparação) + 15 min (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 12 muffins.
  • Calorias (total): 1550 kcal.
  • Calorias (1 muffin): 130 kcal.

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