Muffins integrais saudáveis de abóbora e banana com crumble de noz

Hoje está planeada uma sessão de cinema na casa de uma muito boa, e muito saudavelmente gulosa, amiga minha. Assim — e embora, hoje em dia, ao fim de uma semana de trabalho geralmente me apeteça mais enfiar utensílios afiados de cozinha nos olhos do que dar-lhes a sua função primária —, esta foi uma gloriosa sexta-feira em que, depois de exactamente doze minutos no consultório de uma dentista em quem também não seriam mal empregues uma katanazita aqui e ali, corri para casa para a coisa que logicamente se segue a uma limpeza odontológica: cozinhar doces.

O plano era esta receita do ano passado do Ambitious Kitchen, muito potencialmente o blog de culinária mais fixe de sempre (sinto que a quantidade de vezes que digo isto me começa a tirar alguma credibilidade, mas juro que é sempre sincero!), de maneira a, entre outras coisas, tirar uma lata de puré de abóbora que tenho guardada há literalmente meio ano da sua miséria. De todas as receitas que encontrei com abóbora, esta foi a escolhida por várias razões: 1) a combinação de ingredientes é incrivelmente saudável — zero açúcares refinados, uma amostra de azeite como única gordura usada, farinha integral; 2) cada muffin destes, mesmo com o crumble, tem cerca de 140 kcal!, o que é tipo, wat, vou comer mil; 3) muffins; 4) muffins; 5) muffins. As nozes de macadâmia foram substituídas por boas velhas nozes de nogueira, porque em Portugal ninguém recebe para comprar nozes de macadâmia; troquei o xarope de ácer por mel, porque adoro mel e não tenho tempo para ir a sítios fixes às compras; e o leite de amêndoa passou a simples leite de vaca magro, porque seriamente não quero saber. No entanto, aí têm os ingredientes originais, no caso de quererem partir numa rampage vegan! (Além disso, se não tiverem as especiarias todas — eu só tenho porque uso abóbora em doces com alguma frequência —, podem tentar usar só canela, numa quantidade maior: não experimentei, mas parece-me que resultaria.)

Seja como for, esta minha adaptação resultou fantasticamente: muffins muito saborosos, com o crumble açucarado e crocante a conjugar na perfeição com a massa consistente e pouco doce, e que não deixam qualquer culpa — porque, sendo sincera, estas quantidades serviram-me de massa para uns bons treze muffins, em vez de doze: o que, se ainda se lembrarem de matemática básica, os torna ainda menos calóricos do que as contas, já de si muito abonatórias, que lhes dão as tais 140 kcal por unidade!

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 12 muffins.
  • Calorias (total): 1460 (sem crumble); 1670 kcal (com crumble).
  • Calorias (1 muffin): 122 kcal (sem crumble); 139 kcal (com crumble).

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Blondies saudáveis de grão de bico e manteiga de amendoim

Pensaram que tinha morrido? Somos dois/duas (ou mil: não sei como têm andado as visitas ao site desde que desapareci). Mas, como sempre suspeitara, sou, na verdade, um vampiro, pelo que a mortalidade é algo que não me assiste.

Se se perguntaram sobre o motivo da minha ausência, como eu egocentricamente gosto de acreditar, eles são vários. O primeiro é que o Polifagia se estava a tornar numa obrigação, e isso é como estudar algo de que se gosta: estraga tudo. Muito associada a esta razão está a de o meu trabalho neste site se ter tornado gradualmente numa actividade obsessivo-compulsiva e perfeccionista, tal como, de maneira totalmente interligada, a de cozinhar — o balão da sanidade encheu até estourar, e, neste momento, confesso que já não cozinho há muitas, muitas semanas, salvo raras excepções: têm sido meses de muita sopa, iogurte, aveia, frutos secos, canela, linhaça e goji, assim como das refeições preparadas pelo meu colega de casa. Isto — saturar uma obsessão (e encontrar outra) — é algo que me acontece com relativa frequência, pelo que não me surpreendeu. Não ajudaram os factos de andar cansada, de terem surgido vários problemas na minha vida, e de ter perdido todos os ficheiros do meu computador pela altura do Natal: mas estas, como todos sabemos, são justificações apenas parciais, como atestado pela minha mera presença aqui hoje, apesar delas.

Estou sozinha em casa e está um dia feio. É Carnaval, o que não me diz nada — a não ser, claro (obrigada, António Costa!), que não trabalho. Acordo com uma vontade incontrolável de comer a massa de uns blondies de grão de bico e manteiga de amendoim que já fiz várias vezes, mas não desde há muito tempo. Obviamente, visto a primeira coisa que está à mão (ugh, sair de casa; ugh, viver!), vou ao Continente mais próximo e compro as coisas que me faltam. Pouco mais de meia hora depois, está feito.

E é delicioso? É. Valeu a pena — apesar de cozinhar, hoje em dia, me surgir mais como um frete do que há uns meses? Meu deus, sim. Esta receita é tão maravilhosa que dou sempre por mim a reservar parte da massa — uma boa parte da massa — para comer crua. Não que o produto final não seja igualmente fantástico: é, e o chocolate culinário partido grosseiramente dá-lhe um toque irresistível. Sem farinha, açúcar refinado ou gorduras processadas, e com apenas 95 calorias por fatia, espero que o meu mimo para mim própria vos conquiste tanto como a mim.

Créditos para o maravilhoso Ambitious Kitchen pela receita na qual me baseio.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 16 blondies.
  • Calorias (total): 1526 kcal.
  • Calorias (1 blondie): 95 kcal.

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Bolachas saudáveis de aveia, abóbora e canela com pedaços de chocolate

Como devem ter reparado, as publicações no blog estão a tornar-se mais espaçadas. Isso deve-se ao facto de os meus interesses serem extremamente cíclicos (sendo que, neste momento, estou obcecada com o Radiant Historia), mas também ao cansaço físico e mental que se tem feito sentir para estes lados. A vida não está fácil para ninguém, não é? De qualquer maneira, com maior ou menor periodicidade, e (quase) independentemente dos sinais vitais da dona, o Polifagia Nervosa está vivo, e bem vivo: tenho dezenas de receitas deliciosas reservadas para partilhar, portanto, mesmo que nunca mais cozinhasse na vida, uma quantidade muito generosa de posts ainda estaria garantida enquanto eu respirasse!

O que vos trago hoje é a minha nova obsessão (para lanches, sobremesas, só porque sim…), inspirada numa receita fantástica da Katie do Chocolate Covered Katie, um pouco modificada por mim: bolachas de abóbora e chocolate com base de aveia, um prazer muito pouco culpado, perfeito para o frio que se começa a fazer sentir, com todo o sabor da abóbora e da canela e o valor ridículo de 59 calorias por bolacha — o mesmo que qualquer bolacha de pequeno-almoço de venda, e incomparavelmente mais delicioso! Desde que as descobri (o que não foi assim há tanto tempo, já que a Katie publicou a receita há sensivelmente um mês, no inaugurar da época da abóbora), estas tentações do Diabo — densas e cheias de sabor, com o toque especialmente artesanal do chocolate grosseiramente picado — já foram feitas variadíssimas vezes: tanto enquanto desculpa para abrir frascos de puré de abóbora, como enquanto forma de os terminar (para baixo, todos os santos ajudam). E, se eu fiquei tão apanhada, quem são vocês para se safarem, não é verdade?

Nota: A imagem neste post é de uma versão das bolachas feita com pepitas de chocolate, em vez do chocolate culinário grosseiramente picado que indico no texto. Prefiro fortemente a segunda hipótese, pelo que a recomendo, apesar da fotografia!

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 10 min (preparação) + 10 min (forno).
  • Dificuldade: Muito baixa.
  • Porções: ~16 bolachas.
  • Calorias (total): 948 kcal.
  • Calorias (1 bolacha): 59 kcal.

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Muffins integrais de maçã e canela com crumble de aveia

Como tenho a certeza de que já mencionei aqui no blog pelo menos meia dúzia de vezes (ou duas, ou dez, que esta memória já teve melhores dias), até há relativamente pouco tempo, a única pessoa que usava a nossa cozinha era mesmo o meu colega de casa, que todos os dias prepara refeições deliciosas para nós. (Não, não é o meu namorado, “e eu é que tenho vergonha de admitir”. Não, também não é o “marido da doutora”, como uma senhora adorável indagou à entrada do prédio, no outro dia. É mesmo só um amigo, e a pessoa com quem eu coabito. O namorado existe, de facto, mas tenho quase a certeza de que tem outra cara — e garanto que não tenho qualquer vergonha dele!)

Este meu talentoso parceiro de habitação tem muito poucos contactos na área de Lisboa, visto que foi apenas uma oferta de emprego que o trouxe para sul — o que, pensei eu lá para Setembro, potencialmente tornaria o seu aniversário, no mês seguinte, um bocado tristonho. Para alegrar um pouco a ocasião (ou o estômago, que é a mesma coisa, porque o estômago é tudo), ocorreu-me, na madrugada desse feliz dia Balança, preparar qualquer coisa doce que ele pudesse, inclusive, levar para o trabalho: e foi assim que, às quatro da manhã de um dia incógnito de Outubro, dei por mim na cozinha, a seguir à risca (…OK, confesso, a cortar no açúcar e a substituir o óleo por manteiga magra…) uma receita deliciosa de muffins de maçã com crumble de aveia do livro da Joana Macieira — no maior silêncio possível.

O que aconteceu no dia seguinte foi algo que, bem vistas as coisas, não sei se é de rir ou chorar. O meu bem intencionado companheiro levou o conjunto de queques para o local de trabalho, de facto — até aí, tudo bem. No entanto, não se adiantou nem se precaveu… e acabou por não sobrar nada para ele, a não ser pedidos desesperados de partilha da receita. Como pessoa adiantada e precavida que eu sou, claro que tinha um extra em casa (reservado, já agora, para o namorado — o verdadeiro!); após conversa muito breve com o dono originalmente pretendido, o exemplar foi carinhosamente concedido a quem de direito, e lá se salvou o inusitado dia.

A opinião sobre estes muffins deliciosos, altos e fofos, com cobertura estaladiça, foi unânime: os melhores que já fiz (isto vai sendo dito, eu sei: mas hey, pelas leis da lógica, a vez mais recente é sempre a mais válida). O aniversariante, após a merecida e adiada prova, disse que esta era, finalmente, uma receita a que nada podia ser apontado. As calorias, uma coisa insignificante — 128 sem o crumble, 167 com. Chega para vos fazer mexer?

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 9 muffins.
  • Calorias (total): 1150 (sem crumble); 1500 kcal (com crumble).
  • Calorias (1 muffin): 128 kcal (sem crumble); 167 kcal (com crumble).

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Leite creme

Esta receita já anda aqui às voltas para ser partilhada quase desde que o blog existe, mas as novidades que experimento vão-se sobrepondo, e… enfim. A minha história com o leite creme é engraçada. Desde criança, sempre foi uma daquelas sobremesas de que, pura e simplesmente, não gostava: e isso era tão verdade que, desde que me lembro, nem sequer lhe tocava. Entretanto, a minha mãe, que faz uma sobremesa na qual usa um creme muito parecido com leite creme — e que eu adoro —, começou a questionar a legitimidade deste meu (não-)gosto, mas eu nunca me deixei convencer.

No Natal passado, em 2014, uma tia minha fez um monte de taças de leite creme para o jantar de Consoada. Como não havia muitas alternativas doces, acabei por experimentar uma: e qual não foi o meu espanto quando percebi que adorava o sabor! Apesar de tudo, não interiorizei logo que, afinal, leite creme era uma boa opção de sobremesa para mim; só quando o meu namorado, que é muito fã deste doce com canela, começou a pedi-lo com frequência quando estávamos juntos, é que a rotina se estendeu a mim também. Por ele e por vários membros da minha família, que também lhe são muito parciais, decidi, então, aprender a fazer leite creme.

Infelizmente, a primeira receita que experimentei não era nada de especial, e desencorajou-me. O meu objectivo, como sempre, era conseguir uma sobremesa o mais magra possível mas com todo o sabor, e essa adaptação não pareceu funcionar nada bem na minha primeira tentativa. Depois disso, procurei várias outras formulações, mas todas me pareciam pecar de uma ou outra maneira: até que me lembrei que a minha tia (não a mesma mencionada acima), do blog Comida de Conforto, tinha uma receita de leite creme! Não sei com quem ela aprendeu, mas cheira-me que possa ter sido com a minha avó… o que só torna tudo muito melhor.

A receita não me desiludiu. Mesmo com bastante menos açúcar e a utilizar leite magro, o que resultou em apenas 150 calorias por taça, o sabor e a cremosidade saíram fantásticos: todos os que provaram este leite creme acharam que estava ao nível dos melhores que já tinham comido — o que, em minha casa, é dizer muito. E eu, apesar de fã recente, posso dizer o mesmo! Ah, e garanto que não sentirão falta do açúcar: as minhas taças estavam docinhas, docinhas, docinhas, sem exagero!

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 20 min.
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 10 doses.
  • Calorias (total): 1500 kcal.
  • Calorias (1 dose): 150 kcal.

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