Trufas saudáveis de cacau

Há receitas que terminamos e precisamos de ir logo partilhar, porque nem sabemos como raio é que algo tão divinal, tão bonito que parece comprado, saiu das nossas mãos (neste caso, das nossas pobres, pobres, sujas e pegajosas mãos). Esta, bendita seja, é uma dessas receitas: ou não fossem duas da manhã, e eu aqui.

Gosto muito de trufas. São requintadas, clássicas, têm estilo, causam uma explosão de sabor incomparável nas papilas, e facilmente servem como presente de bom gosto (no pun intended) para todas as pessoas e ocasiões. Na minha curta vida, já provei vários tipos de trufas, das mais baratas do supermercado da esquina a especialidades gourmet da Godiva que, pelo preço, têm certamente sangue de unicórnio como ingrediente secreto. A conclusão a que cheguei é que… gosto de todas. Na verdade, parece-me impossível um qualquer amante de chocolate não ser, em geral e com pouco critério, apaixonado por trufas: afinal de contas, elas são uma das formas mais densas e intensas de apresentação desse sabor.

Com isto dito, nunca pensei que, um dia, me veria a fazer trufas: nunca me teria presumido poderosa a esse ponto. Foi então — na verdade, ontem — que me cruzei com esta receita do Alecrim aos Molhos: o blog, também todo ele de muito bom gosto, da Cátia, uma leiriense de múltiplos talentos. Ao que parece, esta menina aposta na saúde, na originalidade e na qualidade acima da quantidade: princípios em que me revejo completamente, e que me têm levado à sua página diariamente. (Ah, e também tem serviços de catering e entregas ao domicílio: portanto, leitores de Leiria, agarrem nesses telefones/e-mails! Eu, se vivesse na zona, já o teria feito.)

A receita era tão atractiva, e parecia tão fácil, que não resisti a experimentar. Se foi realmente fácil? Não o suficiente para colocar esse tag neste post, mas sim, foi: embora eu, cozinheira mais do que amadora, tivesse ficado agradecida por uma dica que, de tão básica e essencial (e apesar de, para mim, já vir tarde), me vejo forçada a sublinhar — depois de fazerem a massa, e antes de a moldarem nas trufas propriamente ditas, arrefeçam-na durante umas horas no frigorífico. Talvez, dessa maneira, evitem ficar com metade colada aos dedos. Como me aconteceu.

Mas adiante.

À excepção desse pequeno percalço, correu tudo inesperadamente bem: e, creio, a fotografia inacreditável abaixo fala por isso. Não tenho processador de alimentos, pelo que utilizei uma trituradora vulgar e adaptei a receita, mas não consigo imaginar que o resultado pudesse ter sido melhor de outra forma. É que estas maravilhas — que, por mais voltas que dê às contas, não consigo fazer ter as “menos de 30 calorias” de que a Cátia fala: estas minhas meninas, já polvilhadas, rondam as (muito razoáveis!) 50 kcal cada —, estas maravilhas, dizia eu, e vou roubar uma expressão do Sandro, sabem a pecado. Sem qualquer tipo de gordura ou açúcar refinado, esperava, francamente, que o sabor se ressentisse; no entanto, a minha tão amada explosão papilar de cacau está toda lá: e, como que por magia, a textura densa e aveludada, o outro grande estandarte das trufas, também.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 2 horas (frigorífico).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 20 trufas.
  • Calorias (total): 960 kcal (por polvilhar).
  • Calorias (1 trufa): 48 kcal (por polvilhar).

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