“Sally’s Baking Addiction”, de Sally McKenney

É com orgulho que posso dizer que tenho sido uma leitora/utilizadora responsável e contributiva — retributiva? — do cibermundo culinário: desde o livro da Joana Macieira, as compras das obras escritas derivadas dos blogs que sigo têm sido várias (com satisfações também muito variáveis da minha parte). Infelizmente, o tempo, aqui, é coisa que nunca abunda, e ainda não me tinha sido possível publicar críticas a mais nenhuma delas. Bom, hoje decidi pôr um ponto final à espera, antes que esta rubrica se perdesse no meio de um qualquer Mojave criativo — com isso dito, esta apreciação é dirigida ao primeiro livro daquela que hoje é, sem qualquer sombra de dúvida, a minha blogger preferida: a queridíssima Sally, do múltiplas vezes mencionado Sally’s Baking Addiction.

Quando encomendei o livro da Sally — infelizmente, tanto quanto sei, ainda não disponível em (quase?) nenhum ponto de venda português, à excepção da Wook, que existe apenas online —, tinha boas expectativas, dado que as suas receitas são das que mais sigo em todo o mundo cibernético da comida: mas, honestamente falando, nada me poderia ter feito esperar tanta coisa boa junta. Do calor bem humorado dos pequenos textos introdutórios da Sally ao resultado final das receitas que experimentei, tudo neste livro é… perfeito. Não consigo mesmo apontar-lhe nada. OK, OK — tem, talvez, demasiadas receitas de aspecto totalmente pecaminoso em que eu nem penso meter-me, por serem autênticos suicídios calóricos: mas, suponho, até essas me poderão ser úteis para contributos gastronómicos em ocasiões especiais. A verdade, de qualquer maneira, é que esta colecção de doces, além de enorme e absurdamente linda, tem coisas para todos os gostos: e, o que é melhor, tudo está extremamente bem explicado, a abarrotar de dicas, e resulta maravilhosamente. Pessoalmente, experimentei os brownies death by chocolate, os blondies de chocolate branco e nozes de macadâmia, e os blondies de canela, e fiquei rendida (especialmente, aos dois primeiros, por serem sabores que privilegio): são todos das melhores coisas que já fiz ou comi. E mal posso esperar por chegar ao resto!

A bottom line é esta: a Sally é uma blogger de comida fantástica. Escreve bem, fotografa bem, cozinha estupidamente bem, e as receitas dela, na web e fora dela, nunca me deixaram ficar mal. O seu primeiro livro, esta pequena jóia, é uma bíblia da culinária doce com uma qualidade-preço nunca antes vista, em que todas as páginas são uma delícia, e todas as delícias podem ser feitas com total confiança e garantia de qualidade. Resumindo: vão comprar. Vale mesmo, mesmo a pena!

 

Título: Sally’s Baking Addiction
Tema: Doces/Sobremesas
N.º de Receitas: 76

Autoria: Sally McKenney
Fotografia: Sally McKenney
Editora: Race Point Publishing
Ano: 2014

Preço: €24,08 [ Book Depository ]
€25,03 [ Wook ]

Positivo Negativo
O mais importante: as receitas, pura e simplesmente, que, na minha experiência, são todas ridiculamente deliciosas, e, mais do que simples, praticamente impossíveis de falhar! A indisponibilidade de um ou outro dos ingredientes mencionados na maioria das lojas portuguesas: mas as substituições são geralmente possíveis, e a Sally até ensina a fazer um deles — o caramelo salgado!
A organização descomplicada das receitas, com a preocupação de uma secção de “opções saudáveis”.
O sentido de humor bem-disposto e terra-a-terra da Sally, que dá um pouco de si a cada receita.
A fantástica qualidade do papel e da encadernação em capa dura.
O design impecável, e as fotografias lindíssimas de página inteira.
A melhor relação qualidade-preço que alguma vez vi num livro de receitas!

Classificação final: 5/5.
Vale o dinheiro?: Definitivamente.
Se fosse hoje, voltaria a comprar?: Sim, sim, sim. Sim!

“Queques que Enchem a Alma”, de Joana Macieira

Hoje, inicio uma nova rubrica no blog: pequenas críticas a livros de culinária (e assuntos relacionados? Salvaguardas nunca são de mais). Não é bem a implementação da república portuguesa: mas, then again, isso também já não se comemora, não é?

Bom, começando, então: o que vos trago hoje — e, pela minha sanidade e liberdade pessoais, vou tentar fazer estas apreciações de uma maneira mais liberal, e/ou menos cuidada e artística, do que o que costumo apresentar no meu blog literário, nightbird. — é o primeiro livro de culinária que me lembro de ter adquirido desde a infância (altura em que, com jeito ou não — gosto de acreditar que com —, fui, também, muito prolífica na destruição de cozinhas ajuda à confecção de bolos e semelhantes): Queques que Enchem a Alma, da já aqui múltiplas vezes mencionada Joana Macieira, autora do blog Palavras que Enchem a Barriga.

Como já tenho vindo a repetir, a Joana, além da feliz coincidência de se tratar de uma médica interna formada no mesmo ano que eu, foi a pessoa graças à qual consegui, finalmente, começar a fazer muffins direito: e, em consequência disso, a pessoa que virou a minha vida culinária e alimentar de pernas para o ar — já que, desde esse primeiro sucesso, tenho vindo a fazer fornadas e fornadas destes bolinhos de todas as maneiras, com grande lucro para a minha estabilidade mental (e muito pouco prejuízo para a física). Por tudo isto, e porque muffins são um tema tão específico e especial — e eu gosto de coisas específicas e especiais —, senti que tinha mais do que a obrigação de comprar o livro dela: e, assim, dei início àquilo que espero que venha a ser uma série de aquisições deste género.

O livro da Joana está organizado um pouco como o seu blog: cada “entrada” começa com a citação da letra de uma música (algo que me faz sorrir, já que eu própria sou uma debitadora inveterada de letras), parte para um pequeno mergulho num qualquer episódio da sua vida pessoal ou reflexão filosófica, e termina, claro, com uma receita — que pode, ou não, estar relacionada com o texto precedente. Esta estrutura é relaxada, diferente, e rica; acredito que não agrade a todos, mas, na globalidade, diria, no mínimo, que vale muito a experiência.

 

Título: Queques que Enchem a Alma
Tema: Queques/Muffins
Doces/Salgados: Ambos
N.º de Receitas: 38

Autoria: Joana Macieira
Ilustração: Patrícia Furtado
Editora: Verbo, da BABEL
Ano: 2014

Preço: €17,50 [ Wook | Fnac ]

Positivo Negativo
As dicas gerais iniciais sobre a confecção e conservação de muffins. Relativamente curto e com poucas receitas, para o preço.
As receitas, que são realmente óptimas, e muito bem explicadas: ninguém sai deste livro sem saber fazer muffins, e dos bons! Muitas das receitas, e todos os textos, são acessíveis gratuitamente no blog da Joana, alguns de forma quase inalterada, o que põe em causa as vantagens de obter o livro físico para pessoas que não são obcecadas por eles, como eu.
Os textos acompanhantes da Joana, muito bem escritos e com um enorme toque pessoal, tornam este num livro de culinária muito diferente do habitual. As ilustrações fofinhas e old school não são muito o meu género — mas, por outro lado, isso é apenas uma questão de opinião pessoal.
A encadernação em capa dura.

Classificação final: 3,5/5.
Vale o dinheiro?: Se se gostar muito de muffins… e de livros.
Se fosse hoje, voltaria a comprar?: Sim!

“María Lunarillos”, ou o melhor serviço ao cliente de sempre

Se há coisa que dá prurido à minha personalidade obsessivo-compulsiva, é a inconsistência. Odeio incertezas, indeterminações, aproximações — e, claro, por acréscimo, conversões. Com isto dito, sempre detestei os sistemas de medição anglo-saxónicos: milhas, pés, polegadas; libras, onças; graus Farenheit… todos esses parasitas. Os nossos parecem tão mais simples e intuitivos, não é verdade?

Como qualquer pessoa que já tenha olhado para meia dúzia de receitas poderá confirmar, a culinária, imperial ou não, encontra-se invadida por medições em “cup“/chávena e diferentes tipos de colher: um conceito que, por definição, me causa urticária, porque, infelizmente, estes recipientes e utensílios — pelo menos, fora dos lugares onde as medições imperiais estão em vigor — não são sempre feitos de maneira universal. As nossas chávenas de chá comuns, por exemplo, não correspondem em volume às famosas “cups“: o que, numa receita grande, pode fazer uma boa diferença.

Por tudo isto, e porque os copos medidores são outro pesadelo de impraticabilidade, tenho sempre o dobro do trabalho quando uma receita está em chávenas e colheres em vez de gramas e mililitros — alternativa, na minha opinião, infinitamente preferível. Não me entendam mal: não sou, de todo, indiferente à facilidade inerente ao falar em medidas mensuráveis a olho, dispensando utensílios extra, como balanças; no entanto, se se pretender ser rigoroso, trata-se de um método com francas desvantagens. A título de exemplo, não há duas fontes de informação que concordem acerca do peso de uma chávena de açúcar — e, dado que os valores nutricionais das receitas são algo que me preocupa e que calculo sempre, não saber exactamente quanto estou a usar de alguma coisa, para mim, não é uma hipótese. Até aqui, tenho vindo a fazer conversões de chávena/colher para gramas/mililitros de maneira manual e custosa, sempre calculando o peso expectável de cada ingrediente e as calorias que lhe correspondem, e reconstruindo depois as receitas com as nossas unidades de medição.

A conclusão a que fui chegando, no meio disto tudo, foi que precisava seriamente de um conjunto de recipientes de medição, de forma a poder abreviar o processo. Continuaria, por exemplo, a pesar quanta aveia estou a usar se uma receita pedir uma chávena de aveia; mas, pelo menos, teria, logo à partida, o volume certo, o que tornaria tudo muito mais fácil. Este raciocínio levou-me a vários sítios de compra, incluindo à Amazon, da qual sou cliente assídua, mas onde, não pela primeira vez, vi os meus sonhos cair ao verificar que, de facto, para compras deste género, os custos de envio simplesmente não compensam. Foi então que me lembrei de um post que a minha tia, autora do blog Comida de Conforto, tinha partilhado há cerca de um ano, e em que falava de um site espanhol com o qual tinha ficado imensamente satisfeita. Decidi investigar.

Especializado na venda online de utensílios de cozinha para Espanha e Portugal, mas também activo na valência de blog culinário de receitas e conselhos, María Lunarillos é o projecto de dois irmãos andaluzos, María e Eduardo, que apresenta, logo à partida, condições muito apelativas: entregas pela MRW em 24-48 horas, envio grátis para valores superiores a €70, quinze dias para devoluções, e várias formas de pagamento. Na passada sexta-feira, dia 11, durante a manhã, naveguei um pouco pelo site e acabei por escolher um conjunto de chávenas e colheres medidoras e um tabuleiro antiaderente para muffins, que, por impulso, comprei logo; no entanto, no meio de tanta pressa, escrevi mal o número de telefone associado à compra… preocupada com a possibilidade de os produtos não serem entregues, já que, geralmente, a MRW telefona antes, enviei, no mesmo momento, um e-mail histérico e doentio preocupado, pedindo ajuda com a situação. Sendo completamente sincera, não esperava que ele fosse sequer lido em tempo útil, e já estava a ver a minha vida a andar para trás: ou, pelo menos, o meu dinheirinho.

No espaço ridiculamente curto de doze minutos, recebi uma resposta profundamente calorosa de alguém chamado Silvia, que não só me assegurou da resolução imediata do problema, como me informou de que a minha encomenda sairia dentro de instantes, para ser entregue na segunda-feira. E, de facto, isto verificou-se: ontem de manhã, cerca de um dia útil após a hora da encomenda inicial, estava a receber das mãos do paquete da MRW os meus maravilhosos items:

…Que, já agora, foram ambos usados esta madrugada na confecção dos melhores muffins do mundo, e fizeram, de facto, toda a diferença: o tabuleiro, em particular, dá um formato delicioso à massa, deixa os bolos tão soltinhos que quase saem sozinhos, e creio que, literalmente, não podia ser mais fácil de lavar.

(Ah, e ainda enviaram um pacote de gomas Haribo como brinde! Não sou apreciadora, mas o meu primo de 10 anos…)

Portanto, já sabem: Maria Lunarillos, uma loja para usar e abusar. Boas compras!