Lascas de batata-doce no forno com especiarias

Há uns tempos, numa ida mais longa à despensa, apercebi-me da existência, na prateleira de baixo ao fundo, de uma batata-doce: sobrevivente única da minha razia outonal, certamente, e completamente esquecida e perdida. Tão esquecida, na verdade, que toda ela era já pequenas raízes, e folhinhas, e sistema nervoso central, e tudo a que tinha direito. Fiz uma nota mental para em breve averiguar melhor o seu estado e a possibilidade de a usar, mas esqueci-me de que ultimamente ando demente (o que é coerente, suponho), e, obviamente, nunca mais pensei nisso.

No outro dia, ao deambular pela internet, como o fazem todas as pessoas sem vida da minha geração, encontrei esta receita do Baker by Nature — e, com isso, veio-me à memória a minha pequena (nem por isso; é mesmo das maiores) amiga fora de estação. Como aperitivo ou snack, esta preparação de batata-doce parecia deliciosa, além de muito saudável e extremamente fácil — porque não fazer isto mesmo, pensei? Bom, talvez porque, quando comecei a cortá-la, a minha pequena grande batata começou a jorrar leite por tudo quanto era ferida incisa, o que não me pareceu um bom agoiro. No entanto, minutos mais tarde, e novamente com ajuda cibernética, já tinha descoberto que isso é completamente normal, e que batata que está viva ainda é batata, e que não-sejas-mariquinhas-vá: culpa tua, Luísa, por praticamente teres crescido no meio dos animais e das ervinhas e nem saberes como eles funcionam.

Bom, cortada a batata foi, e temperada ao meu gosto (leia-se: cheia de aldrabices à receita original), e posta no forno. Intercorrências? Sim: o forno começou literalmente a fumegar cerca de dez minutos mais tarde. Ocorreu-me então que, provavelmente, a temperatura e tempo de assadura indicados pela Ashley não eram vida para o meu forno, ou para esta região geográfica em geral, ou para a grossura das minhas lascas — não sei. O que quer que fosse o problema, a verdade é que me adaptei (obrigada, Darwin), e, no final, o resultado foi… muito bom. Estes pequenos petiscos são deliciosos, quer para comer de uma vez, quer durante o dia: para quem gostar de batata-doce, em particular, parece-me uma receita infalível. E, claro, a melhor parte é que podemos ter tudo isto mantendo a saúde! Vá, já vos convenci (espero eu, porque tenho de parar de escrever). Experimentem, não se vão arrepender!

Nota: Os tempos e temperaturas abaixo são os que acabei por usar. O ideal, ainda assim, é vigiarem sempre a assadura!

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 10-15 min (preparação) + 20 min (forno).
  • Dificuldade: Muito fácil.
  • Calorias (total): ~550 kcal.

Ler o resto da receita >

Pão de banana com nozes pecan e cobertura de queijo creme

Eu adoro banana. E adoro cozinhar doces. Posto isto, não sei como raio se deu o muito improvável facto de nunca ter feito banana bread, o muito americano (e afamado) bolo de banana em forma de pão. O pão de banana — vou chamar os bois pelos nomes — pode fazer-se de variadíssimas maneiras: umas mais tradicionais, outras mais inventivas. A Sally, do fantástico Sally’s Baking Addiction, que já tanto referi neste blog, garante que esta receita, “um twist no clássico”, é a melhor formulação de pão de banana que já cozinhou — ainda por cima (pensei eu, enquanto passava os olhos pelos ingredientes e me babava) leva uma cobertura de queijo creme, algo de que gosto muito, e que me pareceu que contrastaria bem com o doce do pão. Além disso, tinha metade de uma embalagem de queijo Philadelphia para gastar, e o Sandro vinha no fim-de-semana. De que mais razões precisava?

Aviso-vos desde já de uma coisa: este bolo é gordo. É mesmo, mesmo uma gordice — as calorias, como poderão ver abaixo, não são convidativas para dietas. Portanto, se o forem fazer, consumam em moderação, ou então deitem o risco cardiovascular e a aparência para debaixo da cama e cometam, pontualmente, uma grande asneira (dica: partilhado sabe melhor, e engorda menos).

Vá, estou a exagerar um pouco. Os bolos tradicionais, aqueles cujas receitas herdámos das nossas mães e avós, não ficam longe deste em aporte calórico: na verdade, alguns até o ultrapassam. Ainda assim, e excepcionalmente neste blog, não posso, de todo, considerar esta uma receita saudável: não é, e não se esforça por isso. Eu até fiz algumas alterações ao original da Sally: nomeadamente, usei margarina em vez de manteiga, cortei as nozes na massa para menos de metade e introduzi uma pequena quantidade de chocolate em pedaços, e usei muito menos de todos os ingredientes indicados para fazer a cobertura — só não reduzi o açúcar do bolo, embora, após o provar, pense que viveria bem com 100g em vez de 150g (conselho para a minha próxima vez, mas vocês até o podem seguir já!) —, e mesmo assim não se salvou. Mas querem a maior verdade? É i-n-c-r-í-v-e-l. É mesmo dos melhores bolos que já comi: e a cobertura é absolutamente fantástica. Este, em particular, desapareceu tão rápido que eu quase não o vi. E vou deixar de o tentar vender, porque se a imagem abaixo não vos convence por si só, não sei o que convenceria.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 1-1,5 horas (forno).
  • Dificuldade: Baixa.
  • Porções: 12 doses.
  • Calorias (total): 2900 kcal (sem cobertura); 3500 kcal (com cobertura).
  • Calorias (1 dose): 242 kcal (sem cobertura); 292 kcal (com cobertura).

Ler o resto da receita >

Fudge rápido de manteiga de amendoim

Como já estou farta de dizer, a minha relação com a manteiga de amendoim resume-se a eu não tolerar a existência dela perto de mim mas fora do meu corpo. Isto significa que, quando uma vontade súbita de a comer me surge e transformo um saco de amendoins em mais um frasco dela, as opções subsequentes se reduzem a 1) arranjar uma receita que a gaste, e cujo produto possa ser partilhado com outras pessoas, e 2) cair na obesidade. Tendo a preferir a primeira: e, desta vez, foi o para-mim-recém-descoberto Pinterest (sim, leitores, só agora) que me ajudou nessa empreitada. Esta proposta do Spoon University saltou-me à vista pela promessa de facilidade, e por parecer absolutamente pecaminosa. A verdadeira extensão da facilidade só compreendi mais tarde, quando fui ler sobre fudge e percebi que é capaz de ser uma coisa um bocado complexa e chata de fazer — de facto, em comparação, esta versão fica pronta nuns ridículos cinco minutos, mais uma passagem breve pelo congelador. A pecaminosidade, essa, confirmei à primeira prova. Ao primeiro grama desta maravilha absurda que tocou as minhas papilas. Ao primeiro segundo.

Porque este fudge é mesmo delicioso. É ó-meu-deus-o-que-é-isto delicioso. É só-vou-comer-disto-até-morrer delicioso. Também é muito versátil: podem substituir o xarope de ácer por mel (embora, francamente, com a actual disseminação do xarope de ácer nos hipermercados do costume, recomende muito que tentem usá-lo!), e podem fazer pedaços mais altos/cúbicos (a única consequência é que serão menos). Além disso, a receita original pede óleo de coco, que é coisa que eu não tenho e passo bem sem ter, porque não é tão saudável como se pensa: a minha substituição dele por margarina pode ter resultado em fudge mais mole, mas confesso que não saberia, dado que não comparei — fica a sugestão para vocês, se estiverem curiosos. Honestamente, por mim, a receita fica mesmo assim, como a fiz e como podem ver abaixo: porque, como tenho estado a dar a entender, é foste-mesmo-tu-que-fizeste?, completamente, orgasmicamente deliciosa. E não sou só eu que o digo: nesta, os meus amigos fazem mesmo coro comigo.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 5-10 min (preparação) + 1 hora (congelador).
  • Dificuldade: Muito baixa.
  • Porções: 24 pedaços.
  • Calorias (total): 1795 kcal.
  • Calorias (1 pedaço): 75 kcal.

Ler o resto da receita >

Muffins integrais de queijo creme com framboesas e pepitas de chocolate

Não é novidade para ninguém que, se o Auto-Denominado Estado Islâmico declarasse guerra a todos os blogs de culinária do mundo e eu tivesse um desejo para gastar, o Ambitious Kitchen é o que salvaria. Com isso dito, e tendo em conta que ultimamente cozinho tão pouco, sempre que me apetece alguma coisa doce caseira, é mesmo lá que vou para me inspirar. Este fim-de-semana, para comemorar a compra do meu lindinho novo logo no dia de lançamento (<3), e também porque tinha formas igualmente novas e igualmente lindas para usar, e também porque ando para usar frutos vermelhos em receitas há imenso tempo, e também porque simplesmente gosto de gordices, fiquei presa nesta receita.

Tendo em conta o último ponto, não escolhi bem. Estes muffins, diferentes dos da Monique apenas pela substituição do leite de amêndoa por leite normal, conseguem não ultrapassar as 98 calorias por unidade (!!!) — completamente absurdo, eu sei. A verdade, no entanto, é que, se gostarem de coisas muito doces, não aconselho esta receita tal como a vêem abaixo: sugiro que coloquem mais açúcar, ou escolham frutos vermelhos e/ou tipos de chocolate comprovadamente docinhos (morangos, chocolate branco; o mundo é a vossa ostra). É que o resultado final, aqui, é ligeiramente ácido, e definitivamente pouco doce — eu adorei assim, mas, assumindo e aceitando a diversidade do paladar humano, fica o aviso. Bom, com ou sem ajustes, é definitivamente algo a experimentar: e olhem só estas cores lindas de Primavera! Quem consegue resistir? Uma coisa é certa: no meu grupo de amigos, ninguém!

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 25 min (preparação) + 15 min (forno).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 12 muffins.
  • Calorias (total): 1170 kcal.
  • Calorias (1 muffin): 98 kcal.

Ler o resto da receita >

Mousse de chocolate de azeite

Quanto mais tempo passa, mais me apercebo de que, realmente, actividades dopaminérgicas à parte, o melhor da vida é a família (e mais me questiono o que raio estava a pensar quando vim viver para tão longe da minha). Hoje em dia, os fins-de-semana que passo na terrinha são os meus maiores oásis de paz e conforto, e, ao contrário do que acontecia na adolescência, as reuniões familiares mais alargadas são algo que não me limito a suportar, mas pelas quais anseio e fico verdadeiramente grata.

Foi por isso que este fim-de-semana, quando a minha mãe se propôs improvisar o almoço de Páscoa no jantar de sábado apenas para eu poder estar presente, a azáfama toda não só não me pareceu uma chatice, como me ofereci imediatamente para fazer as sobremesas. A minha mãe, sempre (amorosamente! adoravelmente!) hitleriana, deixou logo bem assente que o forno estaria reservado para ela o dia todo, pelo que propus uma travessa do meu já bastante afamado leite creme, que se viu imediatamente aceite; no entanto, e estando a refeição prevista para dez, apenas isso pareceu-me pouco: para não dizer que esse plano não cobria nenhuma das sobremesas preferidas do meu pai, nas quais se inclui, entre outras, a simples, mas sempre clássica, mousse de chocolate.

Muito antes de conseguir cozinhar fosse o que fosse de salgado, e ainda mais anteriormente ao saber-me fisicamente capaz de preparar coisas chiques como muffins e tiramisù, a mousse de chocolate caseira era algo que eu já fazia bem, e pela qual era conhecida. A receita na qual me baseava era do mais simples que se possa imaginar, encontrada há muitos anos num qualquer sítio da internet — a minha única especificidade, que ainda hoje mantenho, era a de usar sempre chocolate Pantagruel, que não troco por nenhuma outra marca! —, e, no entanto, era o que bastava para que todos os que a provavam (incluindo, modéstia à parte, eu própria) a considerarem algo de especial. O meu pai, em particular, era/é fã incondicional da minha mousse — sendo, inclusive, o seu principal consumidor. No entanto, no início deste ano, esta receita peculiar do Alecrim aos Molhos saltou-me à vista e encheu-me os olhos. Já lá iam muitos anos da mesma receita, e o Sandro vinha no fim-de-semana: decidi inovar, e porque não?

Inicialmente, ambos tivemos alguma apreensão relativamente ao que o sabor do azeite faria a uma mousse de chocolate: um receio extremamente infundado que desapareceu à primeira prova desta mousse deliciosa, mais cremosa do que qualquer outra e sem o menor travo ao óleo usado, onde o café e o vinho do Porto fazem maravilhas pela força do sabor a chocolate, permitindo que, com uma quantidade mínima de açúcar, se consiga o ponto exactamente certo de doce. Este fim-de-semana, ao experimentá-la em nove novas cobaias, incluindo a mais difícil de satisfazer, consagrei de vez esta receita como a receita de mousse de chocolate: e, provavelmente, será a que passarei a fazer mais.

FICHA TÉCNICA

  • Tempo: 30 min (preparação) + 2h (frigorífico).
  • Dificuldade: Média-baixa.
  • Porções: 10 doses.
  • Calorias (total): 2380 kcal.
  • Calorias (1 dose): 238 kcal.

Ler o resto da receita >